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abril 7, 2016
A Fisioterapia no Tratamento da Incontinência Urinária
abril 7, 2016

Incontinência Urinária (IU) e a Prática Esportiva

Mulheres que fazem exercícios não possuem os músculos do assoalho pélvico mais fortes do que aquelas que não fazem

A incidência da IU é significativamente maior no gênero feminino por razões anatômicas, mudanças hormonais e consequências de partos e gestações que podem deslocar ou enfraquecer os músculos do assoalho pélvico (MAP). Outros fatores são considerados para o desenvolvimento da IU. São eles: idade, obesidade, menopausa, cirurgia ginecológica, constipação intestinal, fatores hereditários, tabagismo, exercícios físicos de alto impacto e uso de drogas.

ui-1As mulheres fisicamente ativas apresentam com mais frequência a IU de esforço; exercícios que exigem muito esforço físico e demandam alto impacto, ocasionam aumento na pressão intra-abdominal; este aumento por sua vez, sobrecarrega os órgãos pélvicos, empurrando-os para baixo, ocasionando danos aos músculos responsáveis pelo suporte desses órgãos. Nesse sentido, o exercício torna-se um fator de risco para o desenvolvimento da IU na mulher.

A queixa da IU mesmo entre mulheres jovens nulíparas (que nunca tiveram filhos) e que praticam atividades físicas é muito comum. Isto se dá pela absorção da força do impacto para o assoalho pélvico. Longos saltos possibilitam o contato dos pés com o solo e geram uma força máxima de reação que aumenta em 16 vezes o peso corporal. Este impacto pode afetar o mecanismo de continência pela alteração da quantidade de força transmitida para os músculos do assoalho pélvico (MAP). A força de transmissão do choque, que ocorre entre os pés e o chão e que é transferido para o assoalho pélvico, contribui para a perda da urina.

As práticas esportivas que incluem saltos, aterrissagens de alto impacto e corrida também são citadas como atividades que proporcionam perda de urina, sendo que 40% das atletas sofrem perda urinária durante a prática esportiva, 27% ao tossir, espirrar ou dar risada e 15% aos movimentos bruscos ou durante o levantar-se.

Atletas que se queixam de perda urinária relatam que a incontinência teve início após dois anos e meio de treinamento. A perda urinária foi associada com o tempo de treinamento, idade, duração e frequência do treinamento. Essas atletas são menos capazes de interromper o fluxo de urina voluntariamente contraindo os MAP.

ui-2A maioria das mulheres, incluindo as que praticam exercícios físicos, não conseguem realizar a contração adequada dos músculos do assoalho pélvico. Desta forma, mulheres que fazem exercícios não possuem os MAP mais fortes do que aquelas que não fazem. Pelo contrário, mulheres que se exercitam mais, apresentam maior perda urinária durante as suas atividades físicas, principalmente as atividades que exigem maior esforço e impacto.

Todas as mulheres, atletas ou não, necessitam da estimulação dos MAP, com o objetivo de prevenir ou tratar a IU; a fisioterapia uroginecológica trabalha com o tratamento e/ou prevenção das disfunções relacionadas ao assoalho pélvico. Um novo termo tem sido empregado que é a Fisioterapia Pélvica, pois os profissionais da área também atuam com outras disfunções, como as relacionadas à coloproctologia.

A fisiotera­pia é a modalidade de tratamento conservador que consiste na reeducação muscular perineal e do assoalho pélvico, para melhorar a força de contração das fibras musculares, coordenar a ativida­de abdominal e promover um rearranjo estático lombopélvico, utilizando-se de exercícios, aparelhos e técnicas que pro­movem o fortalecimento dos músculos necessários para manter a continência urinária. Dentre os recursos disponíveis, os mais utilizados são os exercícios de fortalecimento, treinamentos de relaxa­mento, cones, biofeedback e estimulação elétri­ca.

Alguns exercícios podem ser realizados para o fortalecimento dos MAP:

  • “Aperte e solte, feche a vagina e o reto, esprema como se estivesse segurando um absorvente interno ao pular corda”.
  • “Esprema e solte”. Use apertos rápidos e máximos.
  • Incorpore o uso funcional do assoalho pélvico contraindo antes e durante atividades que normalmente provocam a eliminação da urina: tossir, rir, espirrar, levantar e pular.

Referências:

Caetano AS,Tavares MCGC, Lopes MHBM. Incontinência urinária e a prática de atividades físicas. Ver. Bras. Med. Esporte. 2007;vol13; nº4.

Bo K, 2004; Urinary Incontinece , pelvic floor dysfunction exercice and sport. Sport Med. 2004; 34: 451-64.

Bo & Borgen, 2001; Prevalence of stress and urge urinary incontinence in elite atletes and controls. Med Sci Sports Exerc. 2001; 33: 1797-802.

Abrams P, Cardozo L, Falla M, Griffiths D, Rosier P, Umlmsten U, et al. The Standardisations of Terminology in Lower Urinary Tract Function: Report from the Standardizations Sub- committee of the International Continence Society. Urology. 2003, 61:37-49.

ui-3Ana Paula Massuda Valadão é
Especialista em Fisioterapia Pélvica e Mestre em Ciência da Educação e Tecnologia em Saúde

apmassuda@gmail.com
www.fisioterapeutascuritiba.com.br

 

Fonte CWB Running:
cwbrunning.com.br/incontinencia-urinaria-iu-e-a-pratica-esportiva/

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